quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Releitura

Capítulo 26 - A identidade do sujeito moral                          4 . Amor e perda 
  
       O risco do amor é a separação. Mergulhar na relação amorosa supõe a possibilidade de perda. Segundo o psicanalista austríaco Igor Caruso, a separação é a vivência da morte numa situação vital: a morte do outro em minha consciência e a vivência de minha morte na consciência do outro.Por exemplo, quando deixamos de amar ou não mais somos amados; ou ainda se as circunstâncias nos obrigam à separação, mesmo quando o amor recíproco permanece.
      Se a perda é sentida de forma intensa, a pessoa precisa de um tempo para se reestruturar, porque, mesmo quando conseguiu manter a individualidade, o tecido do seu ser passa inevitavelmente pelo ser do outro. Há um período de "luto" a ser superado após a separação, quando, então, é buscado novo equilíbrio. Uma característica dos indivíduos maduros é saber integrar a possibilidade da morte no cotidiano da sua vida.
      Nas sociedades massificadas,porém, em que o eu não é suficientemente forte , as pessoas preferem não viver a experiência amorosa para não ter de viver com a morte . Talvez por isso as relações tendam a se tornar superficiais , e é nesse sentido  que o pensador francês Edgar Morin afirma: Nas sociedades burocratizadas e aburguesadas , é adulto quem se conforma em viver menos pra não ter que morrer tanto.Porém, o segredo da juventude é este : vida quer dizer arriscar-se à morte; e fúria de viver quer dizer viver a dificuldade".



 Fonte:ARANHA,Maria Lúcia de Arruda, Filosofando: introdução à filosofia,Maria Helena Pires Marins - a 3ª edição revista - São Paulo 




Bom, esse texto é relativamente velho e foi publicado aqui há um tempo considerável. Achei válido republicá-lo agora, pois o meu período de luto acabou e a morte em questão já não produz mais efeitos. O Sr.Tempo fez o seu papel muito bem, como em todas as vezes, e a reestruturação já está completa.Passei um tempo significativo sem escrever absolutamente nada e já faz algum tempo que considero a possibilidade de voltar a utilizar o diário eletrônico, mas sempre sem saber por onde começar. A principal dificuldade era saber se eu manteria a subjetividade e o caráter pessoal do blog ou se procuraria escrever algo objetivo e que oferecesse algum entretenimento. Pensei bastante e decidi que um blog de 3 anos de existência de caráter subjetivo não poderia tornar-se objetivo agora. Primeiramente porque eu preciso desabafar em muitos momentos e segundo porque eu não obteria sucesso algum no entretenimento. Fiz então a releitura das postagens e achei melhor apagar as que deixam resquícios da morte e mantive as preferidas para satisfazer aos leitores inexistentes, porém fiéis. Estou recomeçando.








Nenhum comentário:

Postar um comentário