sexta-feira, 27 de abril de 2012

II

 Já não sei mais o amor 
 e também não sei mais nada.
 Amei os homens do dia,
 suaves e decentes esportistas.


 Amei os homens da noite
 poetas melancólicos, tomistas,
 críticos de arte e os nada.

 Agora quero um amigo. 
 E nesta noite sem fim 
 confiar-lhe o meu desejo, 
 o meu gesto e a lua nova.

 Os que estão perto de mim 
 não me vêem... Estende a tua mão.
 Ficaremos sós e olhos abertos
 para a imensidão do nada.

Hilda Hilst. 

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